ALDEIAS HISTÓRICAS DA SERRA DA ESTRELA
Quando o Inverno cobre a serra com o seu manto branco, o cenário transforma-se num dos espetáculos naturais mais fascinantes da Portugal. O convite aqui fica, não apenas para a visitar, mas, sobretudo, para a sentir, viver e explorar...
Montanhas majestosas, vales nevados e lugares aconchegantes compõem uma paisagem saída de um conto de fadas, num convite irresistível tanto para os amantes dos desportos de Inverno, como para os que procuram a Natureza no seu esplendor, ou ainda para os que procuram vivências culturais autênticas.
Mais do que um destino turístico, a Serra da Estrela oferece a oportunidade de imersão na cultura ancestral, nomeadamente nas aldeias que pontuam os vales e encostas. Funcionam como bases acolhedoras para explorar este Parque Natural, permitindo alternar entre dias de actividades na montanha e finais de tarde em ambientes históricos, junto à lareira.
A rede das Aldeias Históricas de Portugal integra várias localidades na envolvente da Serra, destacando-se Belmonte, Linhares da Beira, Sortelha, Castelo Novo, Almeida e Castelo Rodrigo, articulando história, natureza e hospitalidade.
BELMONTE: HISTÓRIA E REFÚGIO INVERNAL
É uma das aldeias históricas mais emblemáticas associadas à Serra da Estrela, conhecida pela forte herança judaica e por um património que atravessa a Idade Média até ao século XX. O castelo, o bairro judaico e o conjunto de museus (como o Judaico) oferecem programas culturais ideais para dias frios ou chuvosos, quando a meteorologia desaconselha longas permanências na montanha.
Do ponto de vista do turismo de Inverno, Belmonte funciona como base estratégica: combina alojamentos de charme com fácil acesso tanto à Serra como às restantes aldeias históricas da Beira Interior. A gastronomia de Inverno – enchidos, cabrito, pratos de panela e doces conventuais – assume aqui um papel central, proporcionando ao visitante uma experiência sensorial que complementa as actividades ao ar livre.
LINHARES DA BEIRA: CASTELO, VOO LIVRE E NEVE À VISTA
Integrada no Parque Natural da Serra da Estrela, é apontada como uma das aldeias mais belas da Serra, com origem num antigo castro e forte presença medieval. O castelo que domina a povoação, as calçadas romanas e o casario em granito criam um cenário que, no Inverno, ganha uma atmosfera quase cénica, sobretudo quando há neve nas encostas em redor.
Embora reconhecida como “capital” do parapente em Portugal, a aldeia adapta-se bem ao turismo de Inverno, privilegiando passeios a pé, miradouros e experiências de contemplação. Para o visitante de Inverno, Linhares oferece a combinação rara de paisagem montanhosa, património histórico e tranquilidade, longe da agitação das pistas, mas suficientemente perto para, num curto trajecto, chegar às zonas de neve mais procuradas.
SORTELHA: UMA VIAGEM NO TEMPO
E frequentemente descrita como uma das aldeias mais pitorescas de Portugal, com casario em granito, muralhas intactas e um castelo erguido sobre um maciço rochoso a cerca de 760 metros de altitude. Na perspetiva do turismo de Inverno, a altitude e a exposição do planalto beirão conferem à aldeia um contexto climático frio, com geadas frequentes e, por vezes, episódios de neve que reforçam o seu aspecto de “presépio de pedra”.
Passear pelas ruas da Sortelha em pleno Inverno é uma experiência de viagem no tempo: os largos, as fontes de mergulho e as casas de pedra ganham outra luz com o céu baixo e o ar cortante. Além disso, a aldeia integra frequentemente roteiros que combinam visitas a outras aldeias históricas próximas, estimulando as “escapadas” de fim de semana focadas em turismo cultural e paisagístico, mesmo na estação fria.
ACTIVIDADES DE INVERNO ALÉM DA NEVE
As aldeias históricas da Serra da Estrela são ponto de partida para múltiplas actividades de Inverno. Entre as mais procuradas estão os percursos pedestres em vales glaciais, como o Zêzere ou Loriga, onde, no Inverno, se encontram árvores cobertas de gelo, cursos de água parcialmente congelados e vistas amplas sobre as encostas nevadas. Trilhos como os que partem da Lagoa Comprida para o Covão dos Conchos tornam-se especialmente fotogénicos na estação fria.
Além do trekking, proliferam experiências como provas de queijos e enchidos, visitas a museus locais (do Pão, em Seia; e do Queijo e dos Lanifícios, na Covilhã) e participação em festividades de Inverno, que variam entre aldeias. Estas actividades respondem bem à procura de turistas que desejam conjugar férias activas com momentos de interioridade, como noites em alojamentos rurais, aquecidas por lareiras e acompanhadas de gastronomia típica.