CONCENTRAÇÃO NA PÇ. FIGUEIRA E DESLOCAÇÃO ATÉ AO MINISTÉRIO DAS FINANÇAS
Mais de meio milhar de dirigentes, delegados e activistas sindicais exigiram ao Governo, esta manhã, a reabertura do processo negocial para resolver os problemas e dar resposta às exigências dos trabalhadores da Administração Pública.
Os participantes nesta manifestação pública – que contou com a presença do secretário-geral da CGTP-IN (Tiago Oliveira) e em que o STAL marcou forte presença – defendem que é preciso obrigar o Governo a uma negociação extraordinária face às dificuldades económicas e sociais de quem vive do seu trabalho ou da sua pensão/reforma – em especial na Administração Local e sector empresarial, em que os salários são mais baixos –, devido ao agravamento acentuado do poder de compra.
Na sua intervenção, o coordenador da Frente Comum (Sebastião Santana) salientou que, desde o início do processo negocial, “ficou clara a falta de disponibilidade do Governo para encontrar soluções que permitissem resolver os problemas identificados e dar resposta à ‘Proposta Reivindicativa Comum’ para este ano”, classificando a política da coligação PSD-CDS como “um ataque transversal à Administração Pública, feito nas costas dos trabalhadores na maior parte dos casos”, a que se soma o “acordo de empobrecimento formalizado com outras estruturas sindicais, mas desde logo denunciado pela Frente Comum, e que a realidade veio dar-nos razão: aqueles 56,58 € desapareceram num instante, face ao aumento generalizado no início do ano e da inflação…”
A terminar, o dirigente ainda frisou: “Estamos perante uma tentativa de desmantelamento de carreiras e na desvalorização das carreiras gerais; de tirar à Administração Local o poder democrático que ainda tem; de transformar a Segurança Social numa seguradora ou mútua; pondo o SNS e a Escola Pública sob ataque e retirando condições às forças de segurança… É um ataque generalizado aos direitos que conquistámos com o 25 de Abril e que estão plasmados na Constituição da República que, já agora, por eles seria alterada…”
A REALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO LOCAL
Já a presidente do STAL (Cristina Torres) lembrou que “o desmantelamento dos serviços públicos essenciais às populações é já uma realidade bem concreta na Administração Local, em que muitas autarquias deixaram de cumprir o seu papel e os entregaram aos privados, quer seja nos sectores dos resíduos, das águas ou da higiene urbana”.
A dirigente lembrou, ainda, alguns dos problemas específicos deste importante sector da Administração Pública, como “o trabalho em regime de disponibilidade sem a devida retribuição; o não pagamento do Suplemento de Penosidade e Insalubridade, cujo valor precisa de ser actualizado; os trabalhadores das carreiras subsistentes que acumulam pontos e pontos, mas que não têm por onde progredir...”
A LUTA CONTINUA!
Os dirigentes, delegados e activistas dos sindicatos da Frente Comum que, esta manhã, desfilaram por algumas ruas da Baixa de Lisboa (desde a Praça da Figueira), reafirmaram as principais reivindicações dos trabalhadores da Administração Pública: o aumento intercalar de todos os salários, a atribuição do vínculo de nomeação definitiva, a valorização de todas as carreiras e profissões, a revogação do SIADAP, e o reforço dos Serviços Públicos e das Funções Sociais do Estado.
E a luta continua já no próximo dia 28, com a manifestação, em Lisboa, convocada pela InterJovem/CGTP-IN, em que se assinala o Dia Nacional da Juventude, contra o “pacote laboral”, que o Governo e as entidades patronais querem impor, e que aprofunda as já gravosas condições de vida dos trabalhadores, em particular dos mais jovens.